terça-feira, 29 de abril de 2014

Alan Kardec é o de menos

                                                Alan Kardec é o de menos

Álvaro de Castro


O assunto Alan Kardec encheu as páginas dos noticiários esportivos nesse final de semana, a briga entre Palmeiras e São Paulo foi declarada. Coletivas de imprensa, entrevistas há canais esportivos, notas oficias, um milhão de informações para o caso de um jogador mediano. Sim, mediano. Que o centro avante ajudou e muito o alviverde, é inegável, porém a briga entre palmeirenses e são paulinos pelo atleta é desnecessária. E pra piorar todo esse imbróglio, tem acobertado o principal problema do Palmeiras no ano de seu centenário: a deficiência tática do time.

Ao observar a escalação do Palmeiras na partida de sábado contra o Fluminense, pouco me atentei ao fato da saída de Kardec. O que mais me impressionou foi a omissão de Gilson Kleina na escalação do time. Pelo segundo jogo consecutivo o técnico palmeirense usou a dupla de volantes Marcelo Oliveira e Josimar, dando mais liberdade a Wesley, soltando Valdivia, Maquinhos Gabriel e Leandro. Soltando teoricamente, porque no time de Kleina, todos marcam atrás da linha da bola, e a saída pro contra ataque é quase nula.

Nula, pois não tem com quem a bola saia com qualidade, Wendel é um quebra galho, Juninho não tem boa saída e a dupla de volantes Josimar e Marcelo Oliveira não conseguem fazer a bola rodar, são jogadores de marcação, somente isso. No futebol praticado hoje em dia pelas principais equipes do mundo, essa espécie de volante, líbero, jogador de raça e marcação, está caindo em desuso. Pegue a escalação dos principais times do mundo, teremos duplas de "volantes" como Pirlo e Pogba, Modric e Xabi Alonso, Lahm e Kroos. Quanta diferença.

Ao todo, o Palmeiras errou mais de 50 passes durante a partida diante do Fluminense, o time marcava, e quando tomava a bola, de duas uma: entregava de volta com um passe errado ou tocava para Valdívia, que sem nenhuma opção ofensiva, já que todos marcam atrás da linha da bola, o chileno não tinha como jogar. O Fluminense com seu quarteto ofensivo, bem montado pelo ótimo técnico Cristovão Borges, fez do Palmeiras, em sua casa, uma presa fácil, tranquila, um time omisso e fragilizado pelos erros táticos de seu treinador

O mais impressionante nisso tudo, é que o jogo era em casa, segunda rodada, contra uma equipe em construção (quarto jogo de Cristovão Borges no Fluminense) diante de sua torcida, na volta à elite nacional sob seus domínios. O elenco alviverde é mediano, mas tem condições, se bem trabalhado, de ficar entre os 10 primeiros da competição. Porém, com omissão e deficiência tática, o Palmeiras luta mais uma vez contra o rebaixamento, ou posições intermediárias no Brasileirão.

Todo esse caso envolvendo Alan Kardec tem prejudicado e muito a Sociedade Esportiva Palmeiras. Não pela perda do jogador, e sim pelo foco da notícia. Grandes veículos de comunicação, na figura de seus jornalistas esportivos, esqueceram de falar do que realmente importa, o Palmeiras, os jogadores, o técnico que comanda a equipe e o padrão tático do time. Gilson Kleina e seus seguidos erros estão cobertos por essa fumaça mediana chamada Alan Kardec. Salvem-se quem puder.

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